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	<title>Teoria da constituição &#8211; Index Jurídico</title>
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	<description>Ciências jurídicas e temas correlatos</description>
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	<title>Teoria da constituição &#8211; Index Jurídico</title>
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		<title>Concepções da constituição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Victor Augusto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jul 2017 01:39:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teoria da constituição]]></category>
		<category><![CDATA[carl schmitt]]></category>
		<category><![CDATA[ferdinand lassalle]]></category>
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					<description><![CDATA[No âmbito de estudos da teoria da constituição, tópico recorrente diz respeito às concepções da constituição. Essa abordagem visa a compreender visões doutrinárias lançadas sobre o objeto de estudo (as constituições), pois cada uma dessas visões emana luz e enfoque distinto sobre as ideias subjacentes, a origem, a natureza, o papel e essência do fenômeno [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No âmbito de estudos da teoria da constituição, tópico recorrente diz respeito às <strong>concepções da constituição</strong>. Essa abordagem visa a compreender visões doutrinárias lançadas sobre o objeto de estudo (as constituições), pois <em>cada uma dessas visões emana luz e enfoque distinto sobre as ideias subjacentes, a origem, a natureza, o papel e essência do fenômeno constitucionalizante</em>.</p>
<p>Além da contemporânea noção básica de que a constituição é a norma jurídica máxima que organiza e estrutura do Estado e exercício do Poder e determina direitos, garantias e deveres fundamentais das pessoas submetidas ao soberano, a doutrina enumera uma multiplicidade de outras visões (ou concepções), sendo praticamente unânime a percepção de que <strong>não há na prática uma acepção definitiva e única de constituição</strong>.</p>
<p>As concepções (ou sentidos) de constituição mais estudados são os seguintes:</p>
<p class="dest"><strong>Política</strong>: é teorizada pelo jurista alemão Carl Schmitt, o qual desenvolveu profícuos estudos relacionados com o exercício do poder e manteve controverso relacionamento com o regime nazista. A concepção política é <strong>decisionista</strong>. Isso quer dizer que <strong>a constituição é fruto de uma decisão política fundamental</strong> que visa a formar uma unidade política. A constituição em si, portanto, seria esse complexo normativo que diz respeito às questões mais essenciais da vida jurídica, como direitos e garantias individuais e organização do poder. Fora desta essência, teríamos apelas meras &#8220;leis constitucionais&#8221;. A visão política assim se denomina por dialogar mais intensamente com o objeto da ciência política, que é a conformação do Estado e do poder (ambos íntimos tópicos do processo constituinte originário).</p>
<p>Complementa a doutrina:</p>
<p class="cit">Ele admitia que só seria possível uma noção de constituição quando se distinguisse <em>consti­tuição de lei constitucional</em>.<br />
Para os adeptos desse pensamento, <em>constituição </em>é o conjunto de normas que dizem respeito a uma decisão política fundamental, ou seja, aos direitos individuais, à vida democrática, aos órgãos do Estado e à organização do poder.</p>
<p><em>Lei constitucional</em>, por outro lado, é o que sobra, isto é, que não contém matéria correlata àquela decisão política fundamental. (BULOS, 2014, p. 104).</p>
<p class="dest"><strong>Sociológica</strong>: é a concepção atribuída ao polaco Ferdinand Lassalle. Para o mesmo, a constituição só se configura efetivamente como tal quando representa os <strong>fatores reais do poder</strong> (termo essencial de sua teoria). O termo, simplificadamente, diz respeito à representação (nas normas) das fontes de poder na sociedade, ou seja, na realidade, na vida concreta em sociedade. Relembre que a Sociologia é uma disciplina voltada ao estudo científico de fenômenos sociais, ou seja, de sociedades em seu estado concreto e real, daí a razão pela qual a visão sociológica da constituição voltar especial atenção à realidade do exercício do poder e dos agentes que o exercitam. <strong>Consequência desta visão</strong> é a ausência de natureza constitucional ao simples &#8220;texto constitucional&#8221; cujo teor não corresponde aos fatores reais do poder.</p>
<p>De acordo com a doutrina:</p>
<p class="cit">Para Lassale, o docu­mento escrito com o nome de Constituição, se não espelhar fielmente esse paralelogra­mo de forças opostas e eficazes, não será de serventia alguma, não passando de um pe­daço de papel. Bem se vê que essa concepção carece de toda perspectiva normativa, não convindo às especulações do Direito Constitucional. (MENDES, 2015, p. 55).</p>
<p class="dest"><strong>Jurídica (ou lógico-jurídica)</strong>: trata-se de concepção atribuída ao austríaco Hans Kelsen (o &#8220;mestre de Viena&#8221;), para o qual a constituição seria a norma hipotética fundamental (não positivada, mas que fundamenta o ato legislativo central) de um sistema, com superioridade no ordenamento e pureza jurídica, sem fundamento social ou político. É uma visão lógico-jurídica, com enfoque nítido na hierarquia do ordenamento jurídico. Tal concepção é jurídica porque foca-se exatamente na lógica hierárquica das normas, sem especial preocupação filosófica, política ou sociológica, o que não quer dizer que Kelsen ignorava tais perspectivas, mas apenas que sua teorização científica as abstraía.</p>
<p>Segundo a doutrina:</p>
<p class="cit">Kelsen vê as Constituições apenas no sentido jurídico; Constituição é, então, considerada norma pura, puro dever-ser, sem qualquer pretensão a fundamentação sociológica, política ou filosófica. (PIMENTA, 2007, p. 64).</p>
<p class="cit">Mas Kelsen, ao analisar a estrutura hierárquica da ordem jurídica, também distinguiu os sentidos formal e material de uma constituição.<br />
Sentenciou que a constituição em sentido formal é certo documento solene, traduzido num conjunto de normas jurídicas que só podem ser modificadas mediante a observância de prescri­ções especiais, que têm por objetivo dificultar o processo reformador.<br />
Já a constituição em sentido material é constituída por preceitos que regulam a criação de normas jurídicas gerais. (BULOS, 2014, p. 103).</p>
<h2>Complementação</h2>
<p>Outras concepções contemporâneas são relevantes:</p>
<p class="cit"><strong>Constituições biomédicas</strong>, constituições biológicas ou, simplesmente, bioconstituições são aque­las que consagram normas assecuratórias da identidade genética do ser humano, visando reger o processo de criação, desenvolvimento e utilização de novas tecnologias científicas. Visam assegu­rar a dignidade humana, salvaguardando <em>biodireitos </em>e <em>biobens</em>. (BULOS, 2014, p. 106).</p>
<p class="dest"><strong>Constituição dirigente</strong>: no dizer de J. J. Gomes Canotilho, são as constituições com pretensão de direcionamento da atividade estatal, determinando uma direção sócio-política de atuação e desenvolvimento pautada nos valores insertos na carta.</p>
<p class="cit"><strong>Constituição como processo público</strong>: Defensor dessa concepção: <strong>Peter Haberle</strong>. Procura compreender o texto constitucional como documento de uma sociedade pluralista e aberta, como obra de vários partícipes, como uma ordem jurídica fundamental do Estado e da sociedade. (BULOS, 2014, p. 111).</p>
<h2>Referências</h2>
<p class=bib>BULOS, Uadi Lâmmego. <i>Curso de direito constitucional</i>. São Paulo: Saraiva, 2014.<br />
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustvao Gonet. <i>Curso de direito constitucional</i>. São Paulo: Saraiva, 2015.<br />
PIMENTA, Marcelo V. A. <i>Teoria da constituição</i>. Belo Horizonte: Del Rey, 2007.</p>
<h2>Questões</h2>
<p class="tooltip">VUNESP &#8211; TJ-MS &#8211; Juiz Substituto (2015) Considerando os diferentes conceitos de Constituição, abordados sob a ótica peculiar de diversos doutrinadores, analise as seguintes manifestações sobre o tema:<br />
I. Constituição é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação.<br />
II. Constituição é a decisão política fundamental sem a qual não se organiza ou funda um Estado.<br />
Assim, é correto afirmar que os conceitos I e II podem ser atribuídos, respectivamente, a:</p>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">a) Ferdinand Lassale e Hans Kelsen.</p>
<p class="tooltiptext">D</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">b) Hans Kelsen e Konrad Hesse.</p>
<p class="tooltiptext">D</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">c) Konrad Hesse e Carl Schimitt.</p>
<p class="tooltiptext" onclick="void(0)">D</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">d) Ferdinand Lassale e Carl Schimitt.</p>
<p class="tooltiptext">Exato</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">e) J.J. Canotilho e Hans Kelsen.</p>
<p class="tooltiptext">D</p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p class="tooltip">INSTITUTO CIDADES &#8211; DPE-AM &#8211; Defensor Público (2011) A respeito do conceito e da classificação da Constituição, é correto afirmar que:</p>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">a) A Constituição, na clássica definição de Lassalle, é a decisão política fundamental de um povo, insculpida em um texto normativo que goza de superioridade jurídica frente às demais normas constitucionais.</p>
<p class="tooltiptext">C. Schmitt</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">b) Para Carl Schimit, a Constituição é a norma jurídica fundamental do ordenamento jurídico, servindo de fundamento de validade para as demais normas jurídicas.</p>
<p class="tooltiptext">H. Kelsen</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">c) No entendimento de Hans Kelsen, a Constituição é resultado das forças reais de poder, buscando o seu fundamento de validade em uma norma jurídica epistemológica</p>
<p class="tooltiptext">F. Lassalle</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">d) Para Carl Schmit, não há razão para se fazer distinção entre normas constitucionais em sentido formal e em sentido material, pois tudo o que está na Constituição tem o mesmo status constitucional.</p>
<p class="tooltiptext">Há divisão entre constituição e leis constitucionais.</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">e) No sentido ontológico (Karl Loewenstein), a Constituição pode ser classificada em semântica, nominal e normativa. A Constituição Federal de 1988 é um exemplo de Constituição normativa</p>
<p class="tooltiptext">A frase final é controversa, mas o restante é correto. Para Loewenstein, a classificação normativa implica constituição que efetivamente rege o processo político na sociedade. A classificação nominal seria das constituições que pretendem reger os processos políticos, mas que ainda não alcançou realmente tal pretensão.</p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p class="tooltip">CS-UFG &#8211; Prefeitura de Goiânia &#8211; Procurador do Município (2015) A teoria da Constituição, segundo a doutrina constitucionalista, é o conjunto de categorias dogmático-científicas que possibilitam o estudo dos aparelhos conceituais e dos métodos de conhecimento da lei fundamental do Estado. No que tange ao conceito de constituição, considerando a sua pluralidade de acepções, depreende-se que:</p>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">a) Constituição Sociológica – é que se irmanara com os fatores reais de poder, que regem a sociedade, e equivalem à força ativa de todas as leis da sociedade, entendimento esse atribuído primordialmente a Konrad Hesse.</p>
<p class="tooltiptext">F. Lassale. Konrad Hesse é o pai da teoria da força normativa da constituição.</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">b) Constituição como ordem material e aberta da comunidade – serviria para delinear os fundamentos e os princípios que norteiam o funcionamento do Estado, tendo como meta resolver conflitos da comunidade, disciplinando as relações sociais em constante evolução, sentido empregado por Ferdinand Lassalle.</p>
<p class="tooltiptext">Essa visão plural é de Peter Haberle</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">c) Constituição Plástica – é aquela que apresenta uma mobilidade, projetando a sua força normativa na realidade social, política, econômica e cultural do Estado, conforme a perspectiva defendida por Raul Machado Horta.</p>
<p class="tooltiptext">Correto. A noção de plasticidade diz respeito à maleabilidade da constituição para se adaptar às situações fáticas e circunstâncias concretas.</p>
</div>
<div class="tooltip" onclick="void(0)">d) Constituição Política – é o conjunto de normas que dizem respeito a uma decisão política fundamental, ou seja, aos direitos individuais, à vida democrática, aos órgãos do Estado e à organização do poder, tendo como seu principal defensor Hans Kelsen.</p>
<p class="tooltiptext">C. Schmitt</p>
</div>
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